Por que a Urna Eletrônica Usa Linux e Não Windows?

Jun 17 / Paulo Oliveira

Mesmo não tendo funcionamento parecido ao computador padrão, urnas eletrônicas aplicadas no processo eleitoral no país usam sistemas operacionais com funcionamento de modo dedicado à coleta e contagem de votos recebidos, automaticamente. É importante conhecer a evolução da utilização dos sistemas operacionais em equipamentos de votação, e as características de cada um.

Início com Base em MS-DOS – VirtuOS

 Urna eletrônica foi implementada nas eleições municipais do ano 1996. Na época, existiu uma licitação para estipular quem forneceria o seu sistema operacional. Microbase, a empresa brasileira, venceu, que elaborou o denominado VirtuOS. Um software nacional que consistia na versão personalizada de MS-DOS, naquele momento, popular, e tido como precursor do Windows.

Destacam-se entre os recursos principais delas, a exibição de fotos dos candidatos para cargos majoritários (1996), que passava a ser dos candidatos todos depois (1998), além de implantar saída de áudio ao fone de ouvido quando se fala em eleitor com deficiência visual (2000). VirtuOS com base em MS-DOS foi adotado então em urnas com fabricação aos 3 pleitos seguidos, anos de 1996, 1998 e também 2000.

Primeira Mudança – Windows CE

A evolução dos cérebros da urna: da dependência proprietária à liberdade do código aberto com o Uenux. 

Com a evolução tecnológica aconteceu também a primeira transformação do sistema operacional em relação às urnas eletrônicas. Equipamentos novos passavam a adotar Windows CE, no modelo de 2002, da Microsoft. Consistiu o Windows CE no denominado Windows Embedded Compact. Era uma versão do sistema operacional da Redmond gigante, direcionado aos dispositivos incorporados e portáteis. As principais características, oferecer boa eficiência e ser leve. 

Com tais sistemas que pleitos adotaram voto impresso, em 2002, mudaram ao RDV, Registro Digital do Voto, no ano de 2004, e introduziram leitor biométrico a autenticar eleitor, no ano de 2006. Windows CE, em âmbito eleitoral, foi aproveitado em versão 4.0 para 2002, e houve atualização para edição 4.2, em eleições dos anos de 2004 e 2006.

Adoção Definitiva do Linux – Uenux

Na realidade, como as urnas com VirtuOS não tinham sido abandonadas inteiramente para pleitos em que Windows CE já foi implantado, STI, Secretaria de Tecnologia da Informação, fez sugestão de adotar sistema operacional com base em código aberto, com foco em padronizar equipamentos no Brasil inteiro. 

A partir de 2002 em estudos acerca do caminho ideal, a equipe técnica do TSE, Tribunal Superior Eleitoral, tomou decisão no ano de 2007, que o pleito de 2008 passaria a ter versão modificada do sistema operacional Linux. Desta forma, Seção de Voto Informatizado do TSE estipulou criação da Urna Eletrônica com Linux, o Uenux.

Este sistema novo padronizado iniciava com uma facilidade, porque evitava que mudanças em programação fossem realizadas de modo triplo, já que até então, eram 3 sistemas adotados. E por ser software aberto, ficaria o código fonte disponível para público em geral, à auditoria livre.

Mais um ponto importante foi a independência de atuação. Já que o desenvolvimento do sistema personalizado foi de maneira direta da própria equipe técnica do TSE, sem que permanecesse dependente dos terceiros à fabricação, bem como dispensa das despesas com licença ou qualquer mais direito autoral. 

E com as urnas equipadas com Uenux que foi possível o terminal do mesário com leitores biométricos mais avançados, assim como processador mais rápido, teclado aprimorado, e identificação em libras ao eleitor com deficiência auditiva.


Fator Código-Fonte e Segurança 

A implantação do Uenux tornou fácil o acesso para código fonte de urna eletrônica, o que possibilitou constatação de forma mais robusta da segurança do equipamento. Tal consolidação do sistema operacional resultava em TPS, Teste Público de Segurança da Urna, com a primeira edição ocorrida no ano de 2009.

Integra então o TPS, a auditoria de fiscalização do sistema de votação, e é feito um ano anteriormente a cada pleito, com independentes especialistas na área. Se houver uma falha identificada, estes profissionais voltam meses depois do TPS, e ainda anteriormente à eleição, para verificar se aconteceu correção do modo apropriado. 

Estando tudo preparado e a segurança certificada devidamente, é compilado o código-fonte em equipamento para integração do software, sem acesso para rede, impedindo eventual ataque remoto hacker, na presença também de fiscais, na Cerimônia de Assinatura Digital e Lacração dos Sistemas.

Quais São os Modelos da Urna Eletrônica para Eleições 2026?

 Serão usados, nas Eleições 2026, as 4 versões da urna eletrônica, a incluir a mais nova, com lançamento em 2022, fabricada por Positivo. A Justiça Eleitoral em Eleições 2026, apresenta 4 modelos de urnas eletrônicas em atividade, portanto, UE2022, UE2020, UE2015 e UR2013.

UE2022 é o modelo mais recente em uso, com fabricação no ano de 2023 por Positivo Tecnologia, ao passo que UE2020, produzida também pela empresa, fica entre as versões mais modernas do atual parque. Para os presentes na seção eleitoral em 4 de outubro de 2026, vão poder encontrar um destes 4 modelos em atividade da urna eletrônica.

De fato, o total inclui ainda as urnas de contingência, utilizadas se houver falha na votação. Para cenário atual da Justiça Eleitoral, modelos em atividade correspondem a UE2022, UE2020, UE2015 e UE2013. Foram descontinuadas as urnas UE2011 e EU2010, ao passo que UE2009 se encontra no processo de descarte ecológico.

Por exemplo, a Urna Modelo 2013, esse equipamento anunciado em 2014, recebeu updates relevantes no sistema operacional Linux. Na realidade, as melhorias aplicadas por Diebold em versão nova do software ofereceram segurança maior, em especial no uso de criptografia. A estreia aconteceu em Eleições 2014, com voto para cargos de deputados federais e estaduais, governadores, senadores, presidente da República. 

A Urna Modelo 2020 foi fabricada em 2021 por Positivo Tecnologia, e estreava em eleições gerais para 2022, seguindo em uso pela Justiça Eleitoral. Tinha capacidade de processamento 18 vezes superior comparando com a da UE2015, sem contar oferecer tela sensível ao toque em terminal do mesário e também a certificação ICP-Brasil do perímetro criptográfico de hardware. 

Por dentro do modelo atual: o hardware moderno traz processamento escalado e um ecossistema de criptografia homologado pela ICP-Brasil. 

E o modelo de urna que estreou nas Eleições 2022 possui recursos de acessibilidade, de exemplo intérprete de Libras na tela, mostrando cargos em votação, e o sintetizador de voz aprimorado, a falar nomes de suplentes e vices.

 Já a Urna Modelo 2022, UE2022, é modelo mais novo em uso por Justiça Eleitoral. Com fabricação em 2023 por Positivo Tecnologia, se caracteriza tecnicamente quase igual à UE2020, com diferenças pequenas em construção e gabinete. 

Funcionamento da Urna Eletrônica e Segurança 

Para eleições de 2026, a utilização da urna eletrônica no país completa a marca de 30 anos. Mesmo sendo o sistema antigo no Brasil e ter passado por teste de segurança, a precisão foi questionada por grupos em últimos pleitos. 

De fato, entre 2012 e 2022, urnas passaram por Testes Públicos de Segurança para verificação da segurança de dados armazenados. Coligações, candidatos, MP (Ministério Público), OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), e eleitores podem também solicitar processos de auditorias, se desconfiarem das fraudes ou mais problemas em relação às urnas.

Mesmo que o nome sugira conexão com determinada rede, como ocorre com mais itens eletrônicos, não possui a urna eletrônica conexão com internet. Exatamente por tal razão, não é possível hackear o sistema. É feita a contagem dos votos depois do final do pleito, no momento que há recolhimento das urnas e sendo armazenadas por TRE, Tribunais Regionais Eleitorais.

Inviolável por fora: o isolamento físico de redes externas impede qualquer tipo de ataque cibernético remoto. 

 Um modo rápido de atestar que não ocorreu fraude é impressão da zerésima anteriormente à utilização da urna em eleição. É o boletim que indica que a urna chega para eleitores sem nenhum voto prévio registrado. No ano de 2026, está marcado o primeiro turno para 4 de outubro, e iniciam as zonas eleitorais a receber o público às 8 horas da manhã. 

Segurança para os Votos

Justiça Eleitoral usa exclusivo processo que conecta os computadores tradicionais e urnas a transferir dados depois de um dia de votos. Então, informações da urna e caminho usado para conexão com computadores são criptografados, evitando manipulação de dados e invasões. 

Somente um restrito grupo do TSE possui acesso para software de proteção usado nas linhas. No entanto, estes indivíduos não vão ter acesso para sistema de totalização. Com tal distinção, facilita controlar acesso para dados e diminuir risco de fraudes.

Portanto, por que o Brasil utiliza urna eletrônica? Voto em urna eletrônica apareceu no país para resolução de 2 problemas de fraude que mudavam resultados das eleições. Anteriormente a 1994, o Brasil usava os votos de papel, enfrentando cédulas duplicadas e o problema dos votos desviados em contagem.
 

Para aquele ano, fraudes no Rio de Janeiro, RJ, e situação de anulação de alguns resultados levaram o país a procurar alternativa mais prática e segura aos anos seguintes. Neste contexto, que a urna eletrônica entrava na política do Brasil, e segue há 30 anos. 


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Perguntas Frequentes (FAQ)

Autor do artigo

Paulo Henrique Oliveira

CEO da Linux Solutions e Networker.
Sobre mim
Mestre e Bacharel em Informática pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Graduado em Administração de Empresas pela Universidade Ibmec, com ampla experiência empresarial e liderança. Especialista em Linux e CEO da Linux Solutions, referência em soluções open source para seu negócio.
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